A fé e as emoções no processo de cura

A conexão entre que sentimos ou pensamos e o nosso bem-estar ou a manifestação de certas doenças se conhece há milênios.

O próprio médico Hipócrates, pai da Medicina Moderna, há perto de quatro séculos antes de Cristo, fundamenta sua ação sob a visão de que somos corpo, alma e espírito.

Freud ficou famoso com o termo “Histeria” onde correlacionava as emoções com o histerus (nome latino que significa útero). O mais correto, entretanto, seria associar esses efeitos emocionais à produção hormonal dos ovários.

Mas foi a partir de estudos do Dr. Robert Ader, em 1974, que se evidenciou a relação entre a psique e os sistemas Nervoso, Imunológico e Endócrino e descobriu-se que a atividade do cérebro (ou mente) é a primeira linha que o corpo tem para fazer a defesa contra a enfermidade, o envelhecimento e a morte, e pode então alinhar-se (ou não) a favor da saúde e do bem-estar.

As emoções são estímulos sobre a “caixa preta” de nosso cérebro, que se chama hipotálamo. Assim, dependendo da emoção ou pensamento que tivermos, iremos ativar a produção de neurotransmissores, reparadores (Endorfina, Gaba Serotonina, entre outros), ou liberar neurotransmissores do estresse (adrenalina, noradrenalina e cortisol).

Os neurotransmissores são um comando do organismo sobre o sistema imunológico e sobre o metabolismo. Neste sentido, inúmeros estudos têm sido feitos a respeito dos efeitos que a espiritualidade tem sobre as emoções e, consequentemente, sobre o processo de cura.

Há muitos trabalhos científicos que evidenciam a importância da fé no processo de cura e em qualquer tratamento médico.

A ciência tem mostrado que quanto mais profunda é a fé pessoal do paciente, melhores serão os resultados emocionais e físicos[1]. Estudos envolvendo cardiopatias, câncer, enfermidades vasculares, dores e depressão demonstram uma correlação positiva entre saúde e espiritualidade[2].

Também tem se destacado as investigações atuais que revelam o impacto positivo da fé na prevenção a doenças, no resultados de tratamentos, bem como na recuperação pós-operatória.[3]

Em razão desses resultados de pesquisa, a espiritualidade como parte do cuidado médico não somente é aceita como também recomendada por organizações e comissões de saúde, tanto nos EUA, a partir da Comissão conjunta de Certificação das Organizações no Cuidado da Saúde[4], como na Europa, através da Organização Europeia para Pesquisa e Tratamento do Câncer. Assim, esse é um fator importante em nossa prática médica: auxiliar os pacientes que assim desejem a compreender esses processos e se beneficiar deles, tanto para o tratamento, quanto para a prevenção de enfermidades.

 

Equipe Mispá Vida Plena

[1] Craige, F. C. Larson, D.B., Liu, I.Y. “ References to religion in The Journal of Family Practice. Dimensions and valence of spirituality. Journal of Family Practice.  1990 April, pp, 477-480

Levin, Jeffery S., Vanderpool Harold Y. “ Is frequent religious attendance really conducive to better health?: Toward an epidemiology. “Social Science & Medicine, Vol. 24, Iss 7. 1987 pp. 589-600

[2] Koening, H.K. MacCullough, M.E., Larson, D.B. “ Handbook of religion and health. “ Oxford University Press, 2001. As found in : “ Spiritual values and skills are increasingly recognized as necessary aspects of clinical care” British Medical Journal Dec 21,2002. 325: 1434-1435

[3] Mc Bride,J.L. Arthur, Gary, Brooks, Robin, Pikington, Lloyd, “the Relationship between a Patient’s Spirituality and Health Experiences.” Family medicine Journal, Vol 30. No. 2. feb.1988, pp.122-126

[4] Efficace, Fábio, “ Spirituality Issues and Quality of Life Assessment in Cancer Care. “ Dealth Studies. Vol 26 Iss.9. Oct 2002 pp. 743-756

 

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